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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Sobre os olhares

Afinal em quantos meses se descobre que está apaixonado? Dias? Horas?
Não. Amei em um olhar.
O olho ás vezes tira fotos. Fotos transeuntes, que aparecem e reaparecem entre o anoitecer e o amanhecer. E quanto ao entardecer, fa-lo pensar em quantas fotografias pode-se tirar de uma única foto tão intensa e submersa em sonhos.
Foi assim: eu olhei você e te sonhei. Não chamo de amor à primeira vista, não acredito nisso. Mas acredito em sonho e realização.
Sonhei com a sua voz e com o seu jeito. E agora posso afirmar que você é muito mais do que eu sonhei e idealizei.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Com amor.


Apenas entenda que amor não é um cérebro ligado à todos os membros do corpo com a intenção de mandar mensagens para eles a fim de que estes tenham a absoluta obrigação de atender ao chamado e aceitar. Eu estive pensando Alice... Você tem razão quando grita, bate a porta e chora. Talvez amor sejam todos os membros unidos, sem a menor pretenção de atender à algum telefonema. Simplesmente agem e acontece. Sim Alice, amor acontece!
Não Alice ! Não faça do amor uma pessoa e o veja antes de sentir. Não veja as roupas, o gel no cabelo e os olhos verdes. Isso seria informação demais para um coração frágil. E por falar em coração, filhinha querida, use-o mais que o cérebro, movimente-o mais que os membros do seu corpo e deixe-o falar mais que a sua própria língua.
Sinta a grama, sinta as estrelas, sinta a água, sinta a quantidade de cores que uma minúscula flor pode ter e sinta também tudo o que foi criado com o amor.

sábado, 17 de julho de 2010

união crescente.

Não vou esperar que você espere. É certo. Você cresceu mais, então vou pular o muro, sim, porque quem pula muros não são pessoas pequenas e eu quero ser grande como você. Vou pular o muro e sair para crescer. Quando estiver da sua altura eu volto. Só me prometa que não vai deixar as suas raízes tão grandes apodrecerem já que eu não vou estar aqui para regá-lo. Peça a Deus que lhe mande chuva e que você possa parar no tempo sem mim, me esperando e que só dê frutos quando eu estiver por perto, para colhermos juntos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

tempo.


Não consigo acreditar mais na beleza, James. A borboleta que eu coloquei no bolso ontem, hoje não está mais aqui. A Primavera que estava revestida de flores na semana passada, hoje está nua. O vestido preto de lantejoulas que você me deu no outro verão,não entra mais. Os meus cachos não são mais os mesmos, nem a cor de bronze que você tanto amava. Agora aquele cabelo que você gostava tanto de acariciar está prata. É... achei os fios brancos. Hoje, quando eu acordei e precisei pegar os óculos, fui entender porque de uns tempos para cá você não falou mais sobre meus olhos esmeralda. Eles andam escondidos, é verdade. E de uns tempos para lá você pegava na minha mão lisa, macia e sem manchas, de uns tempos para lá. Me desculpa, James, eu só queria continuar sendo a mesma de cinquenta anos atrás, assim como você, assim como o que eu sinto por você, assim como o tapete da porta "aqui tem gente feliz" sempre fez sentido para mim.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

sonho.


Eu estava precisando de um canto. Só para pousar a cabeça e ouvir alguma coisa agradável enquanto o mundo acabava. Precisava me esquecer um pouco e fazer um texto. Eu estava mesmo cansada ! Joguei o café para o lado, nem sei onde caiu, mas ouvi o barulho das chaves. Estiquei o braço e encontrei o confortável, uma música boa e a perdição. Virei e vi que era a perdição mesmo. Me perdi no seu colo. Era só eu, você e a música tão suave quanto o café derramado no carpete. Quando eu acordei eu vi que o meu mundo só tinha começado. Você não estava ali e eu não iria te procurar. Eu sabia que você viria.

egoísmo.

Você era para mim, sim só para mim, algo insubstituível. Meu, eu, pra mim. Era assim que eu gostava de você. E quando eu te dizia essas coisas tão egoístas de pensar tanto em mim, era tudo para você. Essa era a verdade. Gostava de chegar em casa, depois de ficar o dia todo fora e ganhar uma lambida bem no nariz e ver seu sorriso espanado pelo seu rabinho. Ah... como era macio o seu pelo e como era prazeroso para mim te dar carinho...
Lembro-me do dia em que você ficou me observando brincar naquele balanço em baixo do pé de manga. Eu balançava, balançava, e você fechava os olhinhos sentindo o vento eriçar o seu pêlo marrom escuro. Vendo por esse lado, você também era bem egoísta.
Comprava ossinhos para você, te dava banho, os restos da minha comida e te levava pra passear na rua de casa. Era a minha felicidade saber que também era a sua.
Mas sabe, um dia eu acordei, abri a janela e você não estava mais aqui. Só a sua bolinha de plástico vermelha me esperava. Não te chamo de ingrato. Deixou pra mim as lembranças de que você foi feliz. Te chamo de egoísta, foi sem mim e está sofrendo sem mim, em algum lugar que eu ainda não sei...