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sábado, 24 de julho de 2010

Que bom .




Minha amiga tinha uma mania terrivel. Era na verdade, uma brincadeira, mas eu não achava nem um pingo de graça nela. Hoje, eu pensaria diferente. Eis que a mania irritante era: quando alguém reclamava de alguma coisa ela dizia " que bom que..."Assim: você reclamava, sei lá, de dor nas pernas. Entao ela dizia: " que bom que você tem pernas, tem gente que não tem ! " Se reclamasse do cabelo, ela dizia: " que bom que você tem cabelo, tem gente que não tem mais, sabia ?"Se reclamasse da sua casa e dos seus vizinhos: " que bom que você tem vizinhos, tem gente que não pode ter porque não tem nem casa!" E se reclamasse de dor de cabeça entao? "Que bom que você tem cabeça. Tem muitas pessoas morrendo sem cabeça, sabia ?" E por ai vai...
Imagina que agradável, você ir dormir na casa de uma pessoa que fala essas coisas o dia inteiro. Não, ela não era nenhuma pessoa positivista, e não, ela não tinha nenhum problema (eu acho). Era pura brincadeira. Digamos que... não é brincadeira que se faça ! Não absorva a idéia!
Mas, hoje, lembrando dela, eu lembrei também das coisas que eu faço, e que você tambem faz. Tenho certeza! A gente reclama do café que tá doce demais ou sem açúcar, a gente reclama do nosso colégio, mas todos sabemos que qualquer colégio é ruim, a gente vive reclamando que não tem nada na televisão, mas o controle é o nosso melhor amigo quando não temos o que fazer. Reclamamos do "Banda dejavú e Dj Portugal" do vizinho, do pão que veio ou grande demais ou pequeno demais (pô, vire padeiro para você ver se é facil !), do namorado ou amigo que marcou com você às oito e chegou às onze, do violão desafinado. Pedimos "pelo amor de Deus" para os " Robertoo, vem almoçar", " Julianaaa, vai arrumar seu quarto", "Caiooo, vai tomar banho e pára de ver filme " acabarem.
Ok, não vou ficar até amanhã falando do que a gente reclama. Mas é só pra lembrar que realmente tem gente que não tem casa, nem televisão, nem um vizinho que dança Calypso, Dejavú ou sei lá o que, nem um pão pequeno, muito menos grande, nem uma mãe para gritar " Bárbaraaaa, desliga o computador".
Acabei com vocês agora, né ? Se quiserem levem na brincadeira também.
Eu já estava começando a reclamar " que droga, eu não tenho nada melhor pra escrever?", mas eu lembrei que tem gente que não tem o que escrever e hoje , milagrosamente, eu tenho.



Vou mandar um e-mail para a minha amiga, agradecendo por ela ter sido tão irritante!




Por Bárbara Leão

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Criança é borboleta !

Nunca fui muito fã de crianças, mas elas sempre me chamaram a atenção. Hoje vejo meu sobrinho de quatro anos e me dou conta de que todos nós, independente de idade, raça, cor ou número do soutien precisamos ser borboletas.
Meu sobrinho, a criança, não é nem a lagarta. Vejo a borboleta nele. Aquela que já foi transformada, que acabou de sair do casulo e quer voar alto, muito alto e ver coisas muito maiores que ele para sentar com perna de indio e falar "ual".
A criança quer pegar o mundo com a mão. Não, não. O mundo é pouco. A criança quer ir além. A criança quer ser um astronauta. Crianças experimentam o mundo e aprendem com ele através do tato, do olfato, da visão e audição, às vezes até esquecem do paladar e criam o amor. O sexto sentido.
O Fhilipe ( é, o sobrinho), ama ficar descalço, sujo, rolando na grama, pegando tatu bola no chão (o último chamava-se "Bagubam"), se jogando de lugares altos achando que é o homem aranha (ainda acho que é uma borboleta), ama riscar as paredes do quarto, ama falar que ama o bolo "mimo da vovó". A criança ama a vida. Você briga com a criança, ela chora e não demora muito para vir te lembrar que já esqueceu de tudo e que depende de você para amar a vida denovo. Essa é a borboleta, completamente livre, leve e solta.
Então, a gente pára e vê os adultos insensíveis, casca seca de árvore que vamos nos tornando. Parece que alguém pegou a borboleta, guardou no bolso e ela secou. Parece que a borboleta parou de procurar flores e foi atrás de espinhos e se cortou toda. É assim com o tempo. Os espinhos influenciam mais que as flores e os machucados não duram cinco minutos porque você não depende mais de ninguém. Ou seja, a gente retrocede, vira a lagarta que se arrasteja e só vê o pior na frente dela, que tem que subir em uma árvore para ver as coisas de cima, que não está muito a fim de voar , muito menos de sentir.
Deve ser por isso que por muitas vezes a gente se sufoca, se sente num casulo, estreito e desconfortável, com uma só saída: o tempo. Quando o tempo vem, nos libertamos e voamos. Mas o voo dura pouco, não é? Você logo cai e vê que o ditado era certo " quanto maior a altura, maior a queda".
Adultos! O que é isso? Parem de procurar " Bagubans" em celulares, notebooks e extratos bancários. Deixem a pipoca da vida estourar de novo e rolem no chão procurando por tatus. No final de tudo mesmo, a gente vê que a vida é uma grande brincadeira de esconde-esconde, onde você tem que procurar algum segredo nos ouvidos de quem já escutou.

Por Bárbara Leão.